Fomento Entrevista: Grupo Caixa de Imagens.

Entrevista com o Grupo Caixa de Imagens.

Em 2014 o Grupo Caixa de Imagens completou 20 anos de trabalho e de pesquisa em teatro, em comemoração o Fomento ao Teatro realizou no dia 12 de fevereiro de 2015, uma entrevista com Mônica Simões e Carlos Eduardo da Silva Guimarães (Gaúcho), fundadores do grupo, na qual eles contam um pouco sobre sua história, suas descobertas e seu trabalho ao longo desses 20 anos.

FT: Como surgiu o grupo?
CI: Surgiu há muito tempo já com a ideia de trabalhar na rua. A realidade de São Paulo era muito diferente naquela época, ficávamos muitos meses sem trabalho, então a decisão foi ir pra rua e passar o chapéu então entramos em cartaz na rua e anunciamos que iríamos passar o chapéu. Era necessário um trabalho que fizesse conexão direta com a nossa vontade artística daí vem a pesquisa e a montagem de um espetáculo de cunho intimista para praças. Desta forma, com este trabalho nós entramos na rua sem alarde, sem cantar e tocar instrumentos musicais e esta forma de estabelecer a relação “acontecimento teatral-espaço rua” continua até hoje em nossas performances. Nós nascemos com essa vontade de trabalhar em espaços públicos, de sermos itinerantes, com espetáculos que pudessem ser montados em qualquer espaço e, também, com essa vontade de estarmos próximos. Nosso grupo já nasce com esse tripé: a proximidade, a itinerância e o pequeno.

FT: O processo de pesquisa de vocês é baseado na itinerância e na proximidade do público. Por que escolher esses elementos como norteadores do trabalho?
CI: Às vezes é o contrário, a coisa que escolhe a gente, porque tem horas em que não há escolha. O próprio espetáculo que a gente cria não é muito uma escolha, o tema ou conto que usamos vem de encontro. É disso que gostamos. Trabalhar com itinerância nos dá essa possibilidade.
Nós temos um jeito de trabalhar onde a intuição é primordial, porque quando se trabalha com itinerância você tem que estar com a intuição aguçada, ainda mais quando queremos chegar a locais em que nunca estivemos, ou quando se chega em um local em que já fomos e encontra um novo lugar. Precisamos da intuição pra resolver rapidamente como colocar o espetáculo ali. Existe no nosso trabalho uma compreensão de que aquele é um momento de compartilhamento cênico, e o público percebe junto conosco o jogo.
A proximidade está na forma como trabalhamos o espetáculo desde o momento em que escolhemos o espaço e no como recebemos o público. Costumamos dizer que na verdade, conversamos. Talvez fazendo conecção direta com as rodas de conversa, buscamos o se pôr em roda e conversar, pois é possível nelas o contar de histórias de forma espontânea. Se colocar na roda é se colocar na vida. Que o teatro faça parte da vida e esteja junto das pessoas, para que elas também se percebam agindo conosco, não como algo que passa naquele horário e local.

FT: Normalmente vocês são convidados para realizar os espetáculos. Quais as relações estabelecidas com os locais das apresentações?
CI: Demos o título para nossos projetos de “Chuva de Convites”, ao ser convidado significa que a nossa presença é solicitada e é um privilégio porque a partir do convite se instaura um espaço. A relação se torna bastante intensa, porque consideramos que estamos entrando na casa do outro, ele está nos convidando e quando alguém me convida para entrar na casa dele eu entro de forma cautelosa, para ir percebendo como vamos estabelecer esse relacionamento. A relação cuidadosa vai desde o convite até a entrada do espetáculo.

FT: Como o conviteiro faz o convite para vocês e como se estabelece o acordo de apresentação?
CI: A forma mais comum é através de um espectador, que depois do espetáculo vem conversar conosco. Ele faz sua proposta, então discutimos como são os espetáculos, as datas… Esta produção é feita na hora e depois através de telefonemas. Tentamos desburocratizar totalmente os tramites. Mas às vezes a pessoa que se interessa precisa passar os dados pra outra pessoa agendar por telefone. Nos esforçamos pra conseguir estabelecer uma relação de parceria com os conviteiros.

FT: Qual a importância do programa Fomento ao Teatro para o teatro que vocês realizam?
CI: Ah, essencial! É a base. Porque há a possibilidade da continuidade. Poder realizar um sonho artístico, poder realizar nossa vontade artística, nossa escolha. Quem conhece a gente sabe que viajamos muito, fomos a inúmeros Festivais Internacionais e recebemos um tremendo reconhecimento. Olhamos pra nós e pensamos seriamente como continuar nossa trajetória. O reconhecimento é muito bom. O sucesso tem seus revezes…. Como administrar tudo o que estava acontecendo com a gente? Como não se perder? Foi com o Fomento que conseguimos isto. Por isso que sempre digo que somos privilegiados! A gente pode pegar o reconhecimento internacional para abrir espaço de trabalho dentro do nosso país. Vocês sabem, tivemos a oportunidade de viver na Europa, mas com o Fomento podemos viver a nossa forma particular de entrar em cartaz na nossa cidade.
Por isso que afirmamos que o Fomento é um marco de pensamento da produção artística, da colocação do artista perante o seu trabalho. É algo que muda a história, eu não sei quando virá outro algo que fará uma mudança tão grande, tão profunda.

O grupo ainda nos contou como acontece a escolha de temas para os trabalhos, relações de formação de público, parcerias com instituições, questões sobre itinerância e muito mais. A entrevista completa pode ser acessada no link abaixo.

Entrevista com o Grupo Caixa de Imagens para pdf

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s